Paixão pela cultura gera amigos de luta e de poesia na cena artística do DF

Edis Henrique Peres

Edis Henrique Peres/CB/DA Press
Vicente Sá (E) e Renato Matos, são amigos e compartilham entre si músicas brasilienses | Foto: Edis Henrique Peres/CB/D.A. Press

Unidos pelo amor à arte, artistas plásticos, poetas e produtores culturais encontraram no companheirismo não apenas um vínculo de amizade sólida, mas também um laço familiar. “Uma relação que foi se construindo e se fortalecendo ao longo do tempo e que hoje faz com que sejamos mais que amigos, somos praticamente irmãos”, define Lúcia Leão, 66 anos, coordenadora do Espaço Cultural Leão da Serra. A amazonense deixou o estado natal para ir estudar no Rio de Janeiro, mas em 1977 se mudou da cidade carioca e veio construir a vida em Brasília. Produtora cultural, ela conta que logo que chegou à capital  conheceu o artista plástico Renato Matos, 70, que nos anos seguintes se tornaria um grande amigo. O também cantor e compositor lembra do começo dessa parceria com orgulho: “Foi ela (Lúcia) que produziu meu primeiro disco. Uma história antiga, mas uma história maravilhosa”.

As idas e vindas dessa amizade uniu um terceiro artista ao grupo: o marido de Lúcia, o poeta Vicente Sá, 65. “Eu conhecia Renato de vista, mas ainda muito pouco. Depois produzimos alguns projetos juntos e, por causa da Lúcia, nossa relação foi se estreitando. Então aconteceu que há cerca de nove anos ele precisava de um local para montar seu ateliê e tínhamos um espaço na propriedade. Agora ele é nosso vizinho”, relata. “Como não é muito longe uma casa da outra, a gente costuma se encontrar para conversar no meio do caminho”, brinca Vicente.

A afinidade garante, inclusive, colaborações em trabalhos artísticos. “Temos músicas que escrevemos juntos, eu e o Renato. É um trabalho que fazemos constantemente. De vez em quando, outros amigos vêm até aqui, de 15 em 15 dias, para compormos algo, em um exercício de produção. Tem dia que dá certo, outros que não tem resultado. Mas com essa prática já temos umas dez músicas escritas. Outras vezes, eu também vou ao ateliê do Renato ver os quadros em que ele está trabalhando. Somos grandes parceiros do trabalho um do outro”, garante Vicente.

Luta pela cultura

Natural de Pedreira, Maranhão, Vicente Sá chegou em Brasília aos 11 anos de idade, em 1968. “Ainda era ditadura. Meus pais vieram para cá porque meu irmão mais velho passou na UnB (Universidade de Brasília) então todo mundo veio junto. Sou o mais novo de 19 irmãos. No fim, Brasília influencia muito o que produzo, porque praticamente me criei aqui, morei em várias regiões administrativas e semanalmente publico crônicas em minhas redes sociais sobre a cidade”, cita.

Lúcia conta que por muito tempo disse que Brasília era uma cidade sem avós. “As pessoas vinham para cá separadas da família, sem ter os parentes mais próximos morando aqui. Então quando você precisava de alguma coisa, que seriam situações que geralmente pedimos ajuda para a nossa mãe, irmã, ou algum familiar, aqui em Brasília contávamos com nossos amigos. Então são esses amigos que vão se tornando essas pessoas com laços profundos, de relações muito sólidas. Os amigos tem que contar com os outros para criar essa rede de solidariedade, e não somente porque somos artistas e enfrentamos desafios parecidos, mas porque somos gente”, defende.

“Uma relação que foi se construindo e se fortalecendo ao longo do tempo e que hoje faz com que sejamos mais que amigos, somos praticamente irmãos”

Lúcia Leão, coordenadora do Espaço Cultural Leão da Serra

Centro de Dança do DF oferece aulas gratuitas de balé e afro dance

Iara Pereira*

O Centro de Dança do DF é um dos pontos culturais já tradicionais em Brasília. Fundado em 1993, ao lado do Teatro Nacional, o espaço ficou fechado por cinco anos, mas retornou com as atividades em 2018.

Frequentado por dançarinos profissionais, amadores, aprendizes de todas as idades e mestres, o Centro de Dança se estabeleceu como um local dedicado a ensaios, oficinas e espetáculos.

A agenda conta com aulas para profissionais e para iniciantes, oferecendo inclusive aulas gratuitas de balé e afro dance. A professora de dança Tereza Braga explica que o projeto é gratuito para crianças iniciantes a partir de 6 anos. Os pequenos entre 7 e 12 anos que já tiveram experiência com balé participam de uma aula experimental para a formação de uma segunda turma.

fachada do centro de dança do DF
Centro de Dança do DF voltou a funcionar em 2018, após cinco anos fechado

“O Centro de Dança é um espaço maravilhoso, muito bonito e gratuito também. Eu acho que é um incentivo muito grande a gente ter esse espaço e aproveitá-lo”, afirma a bailarina Tereza Braga.

Com quase 30 anos de existência, as salas de aula e palcos do Centro de Dança do DF foram cenários para a construção de histórias pessoais. Este é o caso de João Gabriel Lima, que, em 2009, decidiu complementar sua formação em artes cênicas com aulas de dança. 

“Eu fui formado aqui e agora eu ofereço formação aqui. A manutenção e o cuidado com esses espaços é que podem ir alçando a produção cultural brasiliense para um nível profissional”, defende João Gabriel , que já participou de dois dos principais grupos de arte contemporânea da cidade e hoje leciona no Centro de Dança.

Assista também à reportagem em vídeo:

Serviço

Centro de Dança do DF

Setor de Autarquias Norte, Quadra 1

Telefone: 3328-4387

Instagram: @centrodedancadf

Site: www.cultura.df.gov.br/centro-de-danca-2

 

Ballet Infantil

Terças e quintas-feiras, das 14h30 às 16h30

Inscrições e informações: professora Tereza Braga – (61) 98226-4545

 

Dança Afro Contemporânea

Terças e quintas-feiras, das 19h às 21h30

Inscrições e informações: professor Júlio César – (61) 99232-0119

 

*Estagiária sob supervisão de Mariana Niederauer